segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Travinha da vida

Eu que subia nos pés de acerola
Fazia careta de quando era verde
Eu quem pulava na terra quente
Eu quem cheirava o mormaço e ficava doente.

Eu quem chupava manga
Eu quem podia mangar
Eu que corria da Vó
ela que corria pra cá
Eu quem me atrepava nas coisas.

A goiabada era boa
A chuva era boa
O pão bem quentinho
A água geladinha.

Não me definiam na travinha
Nem era menina, nem era menino.
Talvez porque não tínhamos uniformes?
Nem sei!

Eu quem apanhava todas as flores no caminho da volta
E caminho da ida também
Mas não sabia dos seus nomes
“rosas, lírios, margaridas”.
Sei lá!

domingo, 14 de setembro de 2014

Trama Macabra

Quando abri aquele portão preto senti logo o cheiro de carne no fogo. Mas não estava com fome. Falavam sobre contas quando atravessei de supetão da cozinha ao meu quarto, o tempo dela me dizer “Quem comer por último guarda as louças”, sempre ironizava isso, pois sabia quem, consecutivamente, ficava por último. Respondi que “sim” com a cabeça. Passei mais tempo no banho que o costume tentando tirar todas aquelas caspas do meu cabelo. Voltei à cozinha, bebi um pouco de água, agora falavam de como eles puniriam os criminosos no caso fosse concedido uma chance de tal. Fingia que não os ouvia. Voltei ao quarto, apanhei algumas folhas amassadas e jogadas ao chão.  Eram anotações inúteis. Sempre tenho anotações jogadas por aí. Sempre as apanho e leio ou a angustia de ter jogado algo importante fora me toma, embora nunca tenha guardado nenhum desses papeis. Tirei o micro system e começou a tocar strawberry fields forever, 23h45min, passei o olhar em uma fotografia minha e de uma ex-namorada que ainda estava numa mesinha que fica ao lado da cama.  Nunca entendi como era a melhor forma de encarar o passado. Os homens omitem seus sentimentos pela mulher amada. A mulher amada, por sua vez, ignora-os quando deliberadamente é falado demasiado sobre esse amor. Passo os meus olhos sobre o sorriso jocoso dela. Sempre teve uma espécie de felicidade clandestina nos seus olhos, mesmo quando triste, mesmo quando jogava sobre meu corpo as maldições do mundo. E se algo de maligno lhe acontecesse encarava isso de uma forma serena, dizia-me que para acontecer tantas desventuras era preciso que alguém se tome de felicidade. Sua ruína era a fortuna de alguém. Para o mundo isso é o equilíbrio. Nesses dias ao pensar nela sinto seu cheiro indo e vindo, sinto o coração aquecido por uma espécie de dor e nostalgia. Como é ver seu passado escrito sobre um rosto tão conhecido? Suas lembranças agora possuem cheiro de alguém. As memórias se tornam físicas ao se apaixonar. Mãos que me recordam sentimento de compaixão, tal qual dia ela estendeu suas mãos miúdas sobre meu rosto que estava suando. Então, debruço-me, penso em Tereza. Enlaço-me, acoito-me, corroo-me e dentro do que pulsa expulso. Penso em você mais do que quando estava. Quando sabia que horas voltaria. Com quem estava rindo. Mas engana-se! Não, não quero vê-la. Não quero teus olhos em mim, do que éramos restam lembranças, não sou mais o encantador, viril, fantasiado. Tenho medo de te encontrar e que tu estejas mal, ou pior, que estejas muito bem. Tenho medo de te encontrar e que tu me vejas, ou que não me veja ou fingindo não me ver apanhe o ônibus. Tenho medo de te encontrar e que tu saias ou que tu queiras ficar. Tenho medo de te encontrar e me desencantar. Que tu estejas mais sonolenta, monossilábica a ponto de me parecer que pioras a cada dia. Tenho medo de encontrar no teu encontro com alguém. Tenho medo de te encontrar e que tu queiras conversar. Fala sobre Nietzsche e das coisas que aprendeu até então. Então eu não respondo, presto atenção nos teus lábios e nas tuas pausas. Tu me olhas e, gaguejando, fala sobre outra cousa que já não sei, então tu percebes, fala-me do seu atraso, e mostrando-se cordial, beija-me o rosto e foge. Foge? E nesses nossos encontros imaginários escapo da vontade do real.  Então nos olhamos fixamente, procurava no meu imaginário o som do teu riso. E tu me olhavas disfarçadamente, mas teu disfarçar já denunciava. Começara andar. E eu começara a te seguir. E sobre as ruas penumbrantes só enxergávamos becos. O som que emanava do teu salto era de um ritmo frenético. TUM-TUM-TUM-TUM... Virava-se outra esquina. Quase pisa na poça. TAM-TAM-TAM. Existem almas perdidas nas noites procurando por um corpo frio. Virava-se outra esquina. Suas pernas parecem querer chegar mais rápido que seu corpo. Cortei caminho. Ela entrou em outro beco. Seus olhos explodiam e seu corpo sacudia como uma rapina virgem. Finquei-a. Senti palpável o som de suas carnes rasgando. Acima do umbigo. Seu sangue quente. Sua alma começara a exilar por seus poros. O inferno é aquele beco. Se tu soltas minhas mãos mastigarei teus dedos e que no inferno não te faças alianças com ninguém.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Hijo


Noite de julho,
E no meu coração parado pelo tempo
Não fazia hora alguma.

Não há lapide se o morto está vivo,
Chovia os prantos do diabo nos meus cabelos.
Uma sereia murmurava uma canção conhecida só por nós.

Então percebi que o mundo tolo rodava 
Sobre nossos pés de bailarinos aleijados.
Percebi que somos esmolas raras da aposentadoria de deus
Jogadas dum céu provinciano.

Percebi seu ventre sobre meu ventre,
Percebi sua mão morta de criança
Tateando o meu seio de mãe sem leite.

Percebi os urubus voejando
Manchado o céu de negro.

Percebi o ar passando sobre meu rosto,
Percebi 
Aves 
outras naves
O muro que não caiu,
Percebi uma alucinação em mim.

Percebi amor, a condição, percebi a amizade. 
O coração que é entregue
Sua alma amostra
Percebi uma amizade brotando
Sobre as flores do cemitério.
Percebi o esqueleto do amor
Procurando por liberdade.

Percebi minha busca pela poesia
Sobre uma vida patética,
Percebi que a chuva cessara
E que só o arco-íris 
Prolongava-se 
De um mundo ao outro
Trazendo mensagens da terra
Para o mundo que ninguém dorme.

Percebi, então,
Um brilho rasgando o céu.
Nos os olhos fechados que fazem um pedido
Percebi que já não era estrela
E o meu desejo explodia,
E sob o corpo mutilado
Soerguiam minhas pernas
Que inda agora
Acima dos meus braços
Percebiam à guerra.


Percebi a dor humana.
Percebi minha criança Palestina
Entre braços 
Pedindo aos filhos teus, devolva-lhes a quimera.

Percebi o jardim morto
Sobre flores desterradas
Percebi o piso do homem
Que destruiu a mata

Percebi o homem morto
Sobre flores enterradas.
Na lápide o mato
 O mata

Percebi o vento dando formato de onda na lagoa.
Percebi nossas marcas de Judas 
Que queimam em cicatrizes nos nossos pescoços.

Percebi os soldados de guerra que a criança rejeitou
Para tocar um violão.
Percebi uma revolução.
Percebi o cheiro, as cores, os gritos, o chão que piso.
Percebi marte, as constelações, a matéria.
Percebi deus.

sábado, 31 de maio de 2014

Quando tocou “the grateful dead”



Já contava quatro semanas. O calor infernal dessa cidade. O trânsito. O fleche que não fechava. O fleche que não abria. O sapato que incomodava. As couraças que se sobressaiam nas costas, numa espécie de segundo corpo querendo se extraviar da alma. Corria p’rum lado. Corria pr’outro. De sete até as sete. Comia na rua. Comia a rua. Comia a poeira, o asfalto, as pedras. Sentia dores de barriga. Acordava todas as manhãs com a sensação que nada seria aproveitado. De que ninguém estaria lá. De que nada estaria. Pois eu não estaria. Estava adormecendo em um abismo entre caveiras e lembranças. Em dias normais tomava uma para descer melhor à vida. Em dias fáticos, aumentava a dose  para desvanecer e não sentir nada. Sempre abria a mesma porta. Parava no mesmo canto. Entrava no mesmo bar. Ria das mesmas piadas. Construía o mesmo muro. Pintava o mesmo quadro. Um ser dotado ao aprendizado por base de chicoteadas. Quantas vezes escrevi esse mesmo texto em vida? Lia-o noutro dia, e o apagava no desespero de apagar cicatrizes. Descia às escadas como quem subia. Não existe nada de metafísico no prato de feijão de segunda a sexta. O sol dourado que nasce para todos é o mesmo que queima a pele de alguns. Estava carregando o cadáver de mim. E o nada já não fazia sentido. Então  acordei no sol de sexta-feira, depois de ter dormido por 14 horas. Algo queimava em meu peito. Alguma voz doce me chamava. Ouvia uma melodia suave e sentia o ritmo balançando minha rede. A voz que me chamava saía de minha boca. Minhas primeiras palavras “But if you fall, you fall alone”, algo como, se você cair, cai sozinho.  E eu já estava sobre um barco em ondas calmas. Sentia uma brisa branda atravessar meus cabelos. Estava, enfim, voltando para minha natureza. Eu o horizonte, brisa e mar, afagavam-se todos os elementos e algo me dizia que os deuses me apontava uma direção. Punha minha mão no rio e sentia doces águas claras entre meus dedos. Estou indo te visitar. Mas o caminho será feito pelos ventos. Pelas ondas. Talvez passe em outros lugares antes de chegar onde você mora. Sem remo. Talvez você sinta o que digo quando tocar “the grateful dead”
.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Página em branco ou tudo que se pode escrever em uma.

A existência fez do meu rosto retratos
Dos quadros que estão trincados
E das fotos soltas, falta de álbum.

O tempo agarrou os meus seios, 
Mordeu-os
Sugou a vida dos filhos que nunca tive.
Deixou-lhes murchos.

A existência se atracou de minhas pernas
De tal roçar qual cão em cio infinito
 A existência pateia minhas cochas.
E nas suas quatro patas,
Monta-me, alucinada.
S’eu rosnar, s’eu roçar, s’eu trepar.
A existência me traçou
E meu aborto é depressa.

A existência ponteia meus textos.
Vírgula.
O tempo pausa meu tempo
A vida para minha vida
A existência 
Existe
Noutra
Essência.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

zumzumzum

As mosquinhas e suas asas dominam o tempo
Nesse seu voar invisível aos olhos,
Ao cururu resta uma missão
Arrotar milésimos
De sua turva distração.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A última conversa com meu Velho.

Debruçada sobre sonhos remanescentes. Cobria os pés do frio, mas naquela época do ano já não fazia inverno. Introjeção dos medos que se voltara para infância. Injetou em si que algo perigoso podia tocar-lhe os pés à noite.  São quase cinco da manhã, é preciso nascer. O dia acorda sonâmbulo. Aluando-se. Estive vagando por meus sonhos, nele avistava um velho sentado de bruços sobre a mesa do bar. Enquanto me aproximava vivia uma leve sensação de familiaridade. Não havia ninguém no bar fora o velho. Na mesa de sinuca tinham tacos e algumas bolas não encaçapadas como se alguém tivesse desistido do jogo. Tocava um bolero... Não sei dizer de quem, ou qual era, mas é música de fim de festa.  As batidas assemelhavam-se com sinos anunciando os sete anjos do Apocalipse.  Aproximei de sua mesa, seu bafo de cachaça harmonizava com a música do Apocalipse. Afastei a cadeira e sentei, na mesa tinham bitucas de cigarro e um copo meio vazio de pinga. Seus cabelos eram tais como brumas, tão brancos quão penas de gansos. Havia um começo de calvície no centro de sua cabeça e seus dedos eram enrugados e suas unhas sujas. Ele tinha sinais de cor marrom em todo seu braço, sua pele era visivelmente áspera. E eu indagara cá com meus botões “Quem abandonou este velhote?”. Ele tossia forte, tuberculoso. Jogou seu corpo para o lado e deu um escarro. Defronte ao seu rosto senti que o conhecia.  Mas de onde, onde. Eu o abandonei? Recalquei-o e o larguei no limbo do esquecimento?
-“Me serve”
-“Me serve, caralho”
Suas palavras eram soltas e bêbadas e quase se entalavam ao sair. Ele me olhara e seus olhos eram o rio de Aqueronte. Como se mirassem apenas algo como o suplicio.
“Você é apenas mais um. É mais um que vem aqui para me arrastar ao inferno. Eu já mandei o recado. Eu não sou nenhum merda. Você tem cheiro de enxofre e não vai conseguir me tirar daqui, não sou nenhum merda”.
Ele abandonou.  O que os vermes fizeram com ele? Esse asfalto todo, esse excesso de luz, essas pessoas insignificantes. Esse tempo de maldição.  Por qual o tirara? Eu não sabia com quem guerrear por. Não podia o levar. “A vida é uma bosta, minha filha, se leve daqui. São três quilômetros até a próxima estação. Você não tem foice, não é uma larva. Guia-se daqui. Vai-te-embora.” Afastei a cadeira e me levantei, naquela mesa vi de relance uma foto de mulher que, Deus, era tão familiar.
Cinco da manhã. Nasce o dia. Sinto meu rosto molhado. Não poderia ser das goteiras, pois não estava na estação do inverno. A vida, meu velho amigo, possivelmente é uma bosta, mas com momentos de belas bostas.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ferreira enjoadinho

Sobre os bancos da Praça do Ferreira
Mascado o fumo
Cocei o saco
E pensei
Pra que tanta pressa, meu Deus, para quê?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Velho

Sentou-se no ônibus, seu bafejo emanava sobre a janela que embaçava paisagem. Uma cobertura de fumaça e o sopro de cachaça era o que no final do dia se habituara.  A realidade é a coisa mais dura sobre os olhos de um velho bêbado.  Sentia falta de plantar feijões no copo. Dormia sobre os golfos das lembranças do Nepal.  Os graves das gargalhadas são dessas coisas que mudam quando a carcaça do corpo envelhece.  O ônibus corre tanto nessa avenida escura e eu não tenho pressa alguma. A minha vontade é de continuar rodando por entre os becos e as ruas sujas dessa cidade, pernoitando sobre as pernas das prostitutas e admirando a bruma da lua.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O paradoxo da borboleta




Sentou-se ao meu lado. Sua aparência franzina, seus cabelos avermelhados e suas sardas que pulavam tal como granulados coloridos eram as únicas coisas que eu conhecia dele. Além dos olhos que de certa forma me lembravam aos de uma Orca. Sabe, gostaria de poder descrever quão forte é a sensação de um ser te mirar com os olhos de Orca. Certa “OniImpotência” me tomava o corpo. E quando termino de relatar tais pensamentos surgiam suas primeiras palavras:

- Desde quando existem as borboletas? Perguntou-me.

Sinto imediatamente à gastrite retalhar meu estômago.  As malditas pessoas deste ônibus não sabem o que está acontecendo? Ou estão apenas sendo simplesmente levadas a qualquer lugar?
Respondo-o.

-Desde que nasci elas sempre estiveram aqui.

-Ah, então são eternas.

Ele respondeu com um ar de quem não havia sido surpreendido.

-Não sei se são eternas. Mas são eternas para mim, desde que nasci elas existiam e vão continuar existindo mesmo depois de minha morte. 

Seus olhos de Orca agora estavam como se fossem dar o bote.

-Sempre existirá algo antes de você e continuará existindo mesmo depois da sua morte. É assim que vai ser.

Termino meu pensamento. Ele parece não estar interessado. Fica olhando para janela procurando alguma coisa. E assim me diz...

-Será que a borboleta cansada de voar e fatigada de conhecer o eterno. Certo dia de sua vida a única coisa que ela desejaria não seria voltar para o seu casulo e tornar a ser lagarta, sendo assim protegida pelo quentinho de sua casa? Acho que toda borboleta certo dia de sua vida sente uma falta danada da época em que era lagartinha. 

Retruca-me.
Aí minha gastrite!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Como seria o fim do mundo



Acordei "desmanhecido" com barulho de macumba e cheiro de capim santo. Aquelas velhas, na frente de minha alcova com o cheiro das partes íntimas arregaçando os quadris abaixados sobre os baldes cheios de roupa suja. Alguém grita da janela pra janela de outrem 'Tome cuidado, o Brasil é o país dos possuídos'. Sinto o sol entrar pela brecha dos telhados, o tempo está quente e úmido. Recebi uma ligação sobre o que iria acontecer hoje. Não fiquei surpreso. Continuo com a mesma brecha na porra do telhado. Continuo com a porra da mulher gritando do lado de fora. A terra, dizem é um arquétipo feminino. As mulheres, como sabem são vingativas. Caso as pisem mais forte dos que elas gostam elas revidam. Deve ser isso, a mulher terra vingativa. Coço uma verrugada. Mas continuo deitado. Sinto que se acabar mesmo não fará muita diferença. No fundo, tá todo mundo morto. Mas como nós somos convencidos queremos um deslumbre para o fim dos nossos fedidos rabos. Uma apoteose para acabar. Um espetáculo. Sei lá. Coço a verruga que nasceu ontem. Ontem vi um filme do Sganzerla. Aquilo meche comigo cara. Porque como uma das personagens eu também tenho pavor à velhice. As mulheres das virilhas pretas estão com os seios amostra nesse momento estendendo suas roupas. Eu tenho pavor à velhice. Um menino está sendo arrastado pela mãe com um pedaço de telha para a bica. Sei por que ele grita. Xinga-a de 'cão' enquanto ela passa com firmeza o caco de telha sobre seu corpo. 
Penso em encontrar Maria das Flores   na padaria, mas preciso cuidar da verruga. Não sei se é porque tem nome de flor que Maria tem cheiro bom. Ou se é por causa de Maria que as flores cheiram bem.
Olho diretamente ao relógio. Sei que agora não tenho mais tempo. Não verei Maria. A mãe não limpará seu filho terminando seu trabalho. O filho não poderá sair correndo pelado pela rua, realizando o plano que estava em sua cabeça. As roupas das virilhas das velhas não irão enxugar. 
Sussurro algo para minha alma. Fecho os olhos. Olho para a brecha do sol. Penso nos humanos. Sinto pena. Fecho os olhos...



O mundo acabou...

Não para o menino. Sua mãe. As virilhas. A terra. Os possuídos. A banda. A roda vida. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Aliterações de um velho fatigado


Que espécie de ser eu soou?

Sou eu ser de espécie?
Espécie de seu eu sou
Sou eu seu de espécie
Eu sou seu de espécie
.
Espécie de seu eu sou.




terça-feira, 28 de junho de 2011

Foi-se


Foi-se a video by _FitterHappier on Flickr.
Não sei porque corro tanto, pois sempre acabo apanhando o último trem. Os últimos vagões vão sempre lotados, lotados de pessoas vazias, afinal ser vazio é estar cheio. Tenho medo da estrela candente que me faz brilhar os olhos, em segundos ela vai-se embora, meu pedido? Para que ela fique. Queria poder tocar o céu, o céu não tem semáforos, nos céus não existem engarrafamentos, só os engarrafamentos das nuvens. E todas as coisas que não vi? E todos os sons que ainda não escutei? Vão-se todos se eu me for? Quem sabe eu possa levar alguma coisa disso tudo... terra? Um dia foi-se e você nunca saberá.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Piedade de nós

Piedade, quando matar de fome a esperança das crianças.
Quando chutares os sonhos, junto com a bola,
Piedade.
Dos homens que na seca pelejam,
E voltam sem nada nas mãos, e tantas outras só regressam com calos.

Ao  moleque que aponta  todos os dias armas ao invés de lápis de cor,
Piedade.
Ao abrir a janela procurando o barulho do rouxinol
Deparo-me com balas
Piedade,
Pois a bala não é nada doce.

Piedade das meninas vendendo o corpo
Trocando Narizinho,
Por uma dose de cachaça
Piedade, pois é dose.

Piedade, pois falta  pão até para o diabo amassar.

Piedade, quando disseres que o que é do homem
O bicho não come.
Sim, não come, pois bem que o bicho é o homem.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Amnésia

Às vezes tenho a sensação de estar sumindo, como as águas do rio, que não voltam. Como a tinta da carta em meio uma chuva, esvaecendo-se, e não é que eu não pertença a esse mundo, mas é o mundo que não me pertence, como se o traje de humano não cobrisse meu corpo por inteiro. Sinto mais frio que o resto das pessoas. E não tem nenhuma fantasia que me agrade nesse baile de rejeitados. Todo dia parece que uma parte do meu corpo some, uma vez acordei sem meus olhos, “olhava” as pessoas pelo som que elas emitiam ruídos e miados desafinados. Algumas vezes me olho no espelho e não sei quem é que está mentindo. É como se eu enxergasse meus medos naquele reflexo. Se sair correndo, talvez, o reflexo não consiga me alcançar e o  medo fique preso no espelho.  E no outro dia que acordo, não sinto minhas pernas, minhas mãos, não sinto fome, nem calor, vem o que minha mãe me disse uma vez “nós precisamos nascer todos os dias”, e a única coisa que sinto é que fui abortada. Que todas as minhas tentativas de nascer todos os dias falharam. Talvez seja isso, precisamos nascer todos os dias para que o fracasso de ontem não seja lembrado, assim incluímos nossos amores, felicidade, nascer todos os dias é amnésia. Que me inventou isso?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Escravos de Jó

"Escravos de Jó jogavam caxangá
Tira, bota deixa o Zé Pereira ficar
Guerreiros com guerreiros ‘jaziam’ zigue zigue zá..."

O amor implora para ser protegido pelo escudo
A paixão varonil soergue espadas bradando guerra e invadindo muros.


Antes de ler tais prantos, abastado leitor, fique com o prólogo mais curto que escrevi nos nefandos daquele verão... Ai desse apaixonado que por muito vê pouco enxerga.

Pés de borboletas sôfregas, tão bela que doía os olhos dos que fremiam admirar tal donzela. E bailava, como bailava! Rodopiava viés com sua saia bordada de ardor, quiçá quando não parecia um pião. E o que pernoitava na cidade era que a moça reencarnava paixão.

O balanço do quadril era feito aguardente, e os imigrantes que de todos os portos chegavam, tomavam doses das vestes ardentes da criatura que trajava delírios ao invés de tecidos.

E cantara e gritara e grunhia. E só ela, só ela conseguira tal feito de apedrejar afagando, pois  suas carícias deixaram cicatrizes, e os seus murros eram mais delicados que afago de um espinho à flor.

E naquela roda, naquela dança, no gingado de libélula, olhara para um homem que olhara para ela.

E brotaram-lhes orquestras no peito.

Tremiam no pudor satânico que lhes roçavam às partes íntimas da carne. Se é que não se fez do corpo uma parte íntima de tais.

-De onde vistes tal épica dama, fazendo-me gozar o corpo?

E dançaram-se  e tripudiaram-se e lambuzaram-se. 

E no fim de toda noite pagara ele luíses de ouro para que ela pudesse bailar-lo ao léu do alvorecer, até que com as últimas moedas acabara-se também o amor dela.

... Quando reticência vira três pontos... Na testa.

Mas era ele encantado por tais pés daquele gingado, que voltara, e voltara e... E via sua senhora carregar bêbados para os bordeis adentro.

Nalguma dessas, ouvira uma sonata com voz tão baixa que parecia rezar...

“Se essa rua fosse mia, mandara eu ladrilhar, com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes e viria meu amor passar?” E pensara ela no eufemismo de tal cantiga. Mocinhas que enfeitam suas ruas para que seus cavaleiros sujem-nas com estrupos e vômitos de orgasmos.

E o homem interrompera essa beleza de pensamentos.

-De onde vem esse coração que goza?

-Nunca vi um coração que goza. Falara como se estivesse ao padre.

-Cá está, meu coração que goza puro, asseado, por tal criatura imaculada que mais parece fortuna expulsa do céu.

E vestiu-se toda de alma.

-Tu não vais ficar. Teu corpo, Dom Juan, é cor de batom, teus olhos salpicam desejo, e tuas carnes falam por si só, e falam um nome doce de outra.

Zeus, brejeiro, mandara um cúpido com duas flechas acertar o mesmo peito.

-Eu confesso-lhe que nos dias de verão quero valsar com ela, mas nas noites de primavera quero cantar contigo.

-Digo-te meu querido, fico com teu amor, mas jogo-te daqui. Amar duas é amar nenhuma. Porque amar é se entregar da alma com corpo, com corpo de alma, é se entregar só para um ser, querendo ser devorado só pelo mesmo, amar tanto parece prisão, cheiro estranho, sol quadrado, e tu já não sabes como é o mundo do lado de fora.

"O amor é como um abismo, quando você pensa que está voando, pode já estar caindo"
E acabo aqui, bruto leitor, morro com minhas próprias palavras. Abuso dos sentimentos dos outros para vender esse conto.  Pois escrever meus romances nada mais é do que usar tais pessoas ingênuas que passam na minha calçada. É a pena, que sente a pena de mim...

Era uma vez uma ciranda sem cirandar.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Caniço pensante

Nunca me senti tão sábio quando descobri em mim a eterna ignorância de um rato.










Não existe maior metafísica da qual a do não saber.
Essa do não saber que não sei
Porque saber, saber mesmo, quem sabe?

E esse tal de ceticismo
Se por ventura, eu, deveras indagar tudo
Cá estou eu duvidando da minha suposta crença em nada.
Pois se em  nada acredito, cá estou acreditando.

Levem-me daqui os dogmas, pois tais são como os ovos desonerados chocados por galinhas mortas.

Contesto ter desaprendido um dia, que dantes nos meus graúdos sete anos não me dava habilitação, mas me levara conhecer a tal da terra do nunca.
Tão sábio, sabia eu que as estrelas eram minhas, sabia que de algum modo se outrem de meu amor mais profundo partisse, estaria ele guiando-me em forma de estrela.
Desculpem-me astrônomos, cientistas e toda essa gente de branco, mas não conheço ninguém
chamado Saturno.

Que quero eu saber de morte?
Não sei. Se tu sabes, guarde-a contigo.
Porque da minha morte cuido eu.

Que quero eu saber de viver?
Ah, não sei. Se tu sabes, leve-a contigo.
Porque se penso eu no mistério da morte, que tempo terei eu
para pensar nas peripécias da vida?
Para vivê-las?

Mas não me venham aqui com seus meios e fins
Meus meios são feitos de fins, e meus fins justificam sim os meus meios.
Estes mesmos olhos do futuro
São os mesmos  olhos do presente
Jazem os mesmos do passado.

O que eu sei do mortal?
Que sei eu do imortal?
Que tudo isso só vai nos tornar mais solitários que já somos.
Indagar, averiguar, devassar...

quarta-feira, 23 de março de 2011

O rei, o bicho e o vício.

São as palavras que me devastam, o meu vício por elas, como charuto ao Burguês, ou cocaína ao traficante.

Eu, homem vil, vivo no subúrbio perseguindo virilhas e heroínas. Poetizando e titicando minhas noites com as putas, elas sempre tão adocicadas, abrindo suas pernas, mulheres, sempre arreganhando suas pernas para nós, homens, que fomos concebidos por elas,  escancaradas pernas ao nascer, e por estas mesmas escancaradas coxas roliças vamos falecer.


Eu que não uso essas mulheres, sou empregado, abusado, estrupado por todas, e não me esqueço dos quadris, e os seios que dantes eu segurava  arfando, e que tive a mazela de partir.


Sou eu um homem, que antes escravo sonhava com a liberdade, agora, entrego-as o tronco e o chicote.
Pudera eu espalhar meu coração, tal como posso espalhar meus espermas. Pois sempre deixo uma a chorar, e meus caminhos não são os de João e Maria, não marco com pedacinhos de pães. Vou e me perco.


 “És tu o homem que abre o zíper, e fecha o peito”. Esse sou eu, só não venha aqui, senhora, culpar-me de mentir. Pois há demônios em padres, e em todos os demônios têm um pouco de vigário.
Um dia da caça é outro do caçador, pois caçar dor é tudo que aprendi.  E deixo-as, para que fiquem com saudades. Tenho necessidade que penses em mim todos os santos e demoníacos dias.


Não sou do coração vasto. Vasto nem é meu coração. Suspeito eu que o tenha, pois gosto dos seios, não do peito delas, gozo por bundas, e não por suas conquistas de março. E o que me fascina é o cheiro que emana do ventre, e não é pelo discurso clichê de que vós podeis gerar vida, é pelo odor de ser macho e procurar reprodução, no dito, sexo.

 Sim, confesso, eu sou errado, tu és errada, nós, vós e eles, só sabemos sugar e sugar, até enchermos nossas barrigas e vomitar e defecar, depois mascaramos com a desculpa de nós sermos “humanos”.  Quem é humano aqui?

 Bactéria, macaco e homem, que evolução...

Mas cabe aqui, minha humilde confissão, eu-homem-Poros, astuto e engenhoso, cabe a mim o destino de se apaixonar por Penúria, que penar! E eu-homem-Eros, sou faminto e sedento de amor, invento mil astúcias para ser amado e satisfeito, ficando ora maltrapilho e semimorto, ora rico e cheio de vida.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A última dança- O baile dos afogados



Insisti “bem me quer- mal me quer”, assim acabei com todas as rosas da floricultura de Maria.



Por onde tu andaste? Em que cama repousou? Quem é a dona destes sorrisos de rei? Óh, olhos-negros-abismos-profundos, voltastes?  Não, foi só uma visita breve, pois estavas a repousar no sofá, sentira falta deste cheiro que tanto reclamava de casa mofada, mal sabias tu que quem mofava não era a casa, éramos nós.

Procurei-te tanto, espalhei suas fotos em meio praças e ferrovias, gritei por ti, choraminguei nos ladrilhos, daquela rua que não, que não era minha e não tinha pedrinhas de brilhantes. E nem vi, nem vi meu amor passar.

Condenado por Colombina, Arlequim voejou, encontrou-se em outros contos  de fadas, e com marcas de dentes aprendeu o prazer que só gente sente. Padeceu sobre todas as camas, todas as casas, sobre telhados diferentes, sobre outros jardins, sentiu o cheiro de inúmeros lençóis, morreu de amor, matou por ele. Estava fantasiado, a descoberta do vinho, levou-te ao meu esquecimento.

Deixe-me dizer que virei teu anjo da guarda, já não sou mais teu amor de carne, tua bela moça de beijos e apertos, descobri-me um querubim, que tanto de amor por ti, criou asas para te proteger, não sou tua amada, sou guarda. Despenquei-me em silêncio, diferente dos outros, sou um anjo com espadas e escudos. Agora, só  olho-te de longe, guardo um manto, pois sei que depois das farras com as fadas, tu te sentes só, faz do seu corpo concha, e a dor toma de conta da alma, tens medo do escuro, tens medo que a própria alma venha o assombrar.

Daí, cá estou eu, cantando uma cantiga de ninar. Servindo de Morfeu para teus sonhos. Servindo de voz para o silêncio que te assustas. Servindo de ar para teus pulmões. Eu estou aqui. E agora tu podes dormir.
Amanheceu, tenho de ir... Ainda me pergunto: como seria se tu não resolvesses me dar um beijo na ponta do nariz e me fechar os olhos.

Fostes e não voltastes. Não voltastes.

E com os anéis no chão, convido-te para a última dança, peço-te em meio a Quimera.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sophia, Clarice, Ana...



                                                                                           "Estou na caridade da evolução do meu ser. Quero ser menina, encontro-me mulher... 
Quero ser mulher, vejo-me menina..." Ferreira Gullar

Fazia sol-chuva, chuva-sol, era um frio abafado, não sei se pingos ou suor, talvez os dois... “Bom dia, Bom dia”, se eles pelo menos olhassem nos meus olhos, saberiam quão bons são os dias e me denunciariam por tráfico. E vou andando, tem uma pedra no meio do caminho, outra, outra e mais outra, Drummond tu só viste um micro-pedregulho-reluzante-inflámavel, desvio das pedras, mas acabo de perceber que despencam meteoros, a moça do tempo não avisou sobre isso.

Corri para entrar no bonde, corri tanto que minha alma saiu do meu corpo. Que alma? Uma lama podre e Cubana, vendida aos Americanos, que me cegaram com suas possibilidades do “Green card”, defecaram-me de possibilidades, ficando cada vez mais ricos sugando almas, assim, como a minha. Até no Ganges as fezes se acumulam, devido  o corpo lavado naquela água, Tietê  de esgotos, Ganges de almas. Um ótimo lugar para o suicídio, das bostas viemos, para bostas retornaremos.


Vejo um homem que dá o passo maior que a perna. Ele cai no bueiro e os ratos o devoram. O mundo está poluído, não falo de efeito estufa, falo do odor que nossos corpos-carniças exalam, deve ser por isso que meu olho arde tanto.


Entro no bonde, e na janela vejo meu reflexo, côncavo, convexo, corcovado? Ilusão, o que reflete não sou eu, é uma armadilha, mas também não é a garota do fantástico, sou apenas uma nota fiscal, e valo exatamente 1kilo de mortadela, que comprei ontem.


Olho para o lado de fora, vejo um casal, acho estranho classificar duas pessoas de “casal”. Eles estão se beijando, na África diriam que eles estão trocando almas, eles são bonitos, lindos de doer, sabe? Poderia descrever eles como... E agora, esfregando os olhos, vejo que eles se transformaram em dois vira-latas, no cio, um cheirando o rabo d’outro, ela lambe suas partes intimas, venerando-se, ele rosnando atrás do seu próprio rabo. Então vou concluir... Amar para mulher é lamber suas virilhas, enquanto, o macho-vira-lata rosna para seu próprio rabo. Tenho uma quota para sentimentalidade, deixo os cães, o amor, as virilhas. Cães que estranham o próprio rabo.


Olho para as pessoas que estão dentro do ônibus;  contas, trabalho, crianças, casamento, separação, sexo, dinheiro, Jesus-seja-louvado, brio, cana, frustrações, vazio, velhice, medo, misture tudo, uma batida de desesperança servida sem gelo. E isso viraria uma bela melodia de poesia, mais uma bela rima sobre púbis. Não existe nada de poético nas vermes que corroem as tripas do garoto.
Esfrego os meus olhos.  Sou jogada no bordel, isso não passa de um prostíbulo, nossas genitálias rendem o prato de cada dia, cada dia que nós damos hoje. Comam. Nossos Santos que  nos protejam da próstata, “crescei-vos  e espalhai-vos gonorréia”.


Fecho meus olhos... –Estava sonhando, tentando dormir.


-Quem é ela? Quem é ela? Q-u-e-m s-o-u e-u? Não tenho amigos imaginários, acho que eu sou um amigo imaginário. Abortei-me. Tenho treze filhos. Meu ventre é oco. Tenho medo de dormir. Tenho medo de acordar. Tenho uma goteira no meu quarto. Não tenho quarto?
Acordo... Acorda, vejo o livro que... De quem é esse livro?
Dizia, “Nada morre no vasto mundo, mas tudo assume aspectos novos e variados...” Responda-me, e esses malditos, benditos, gatos? Não sei. Só sei que essa brincadeira de alguém ter me transformado em humano é de mal grado, antes eu deveria ser um porco lindo e gordo, deve ser isso, uma bela primavera, um porco brincando no esterco e, agora um humano que despreza a lama.


Da próxima vez quero nascer relógio, e que esses humanos morram, faleçam de medo de mim. Quero que eles saibam que não podem abraçar o mundo com suas pernas paraliticas. Queria que eles soubessem que destruir menos não é deixar de destruir.


O menino que entra no ônibus vendendo bala: Três balas por um real. “Três balas por um real”... As pessoas compram as balas, talvez se sintam menos culpadas. “Comprando uma bala ganho um passaporte no paraíso”. O que eu faço? Imagino... O menino grande, segurando uma arma, grita: um real ou três balas na cabeça.


Desvio minha atenção, olho pelo vidro, uma placa 60 quilômetros, imagino... Uma placa “sua escolha”, que caos seria, acidentes, atropelamentos... Que caos seria. Uma placa dizendo quanto nós devemos correr. Somos uns anêmicos, correndo em sessenta quilômetros por hora.


Tenho nojo de mim, sim, enojo todo meu corpo. E sempre achei que quando você critica demais o calo do mundo, é quando você nunca tentou tirar o sapato para ver o tamanho do seu.


Cheguei ao meu ponto, desço do bonde, atravesso. De longe consigo ler uma placa no portão do colégio: Estão canceladas todas as aulas, por falta de água.
O que eu imagino? ...